sábado, 6 de junho de 2015

Governo do Estado planeja implantar sistema de transporte BRT na Grande Florianópolis

04/06/2015 - Diário Catarinense

Governo do Estado planeja implantar sistema de transporte BRT na Grande Florianópolis Secretaria Estadual de Planejamento/Divulgação

Governo do Estado planeja implantar sistema de transporte BRT na Grande Florianópolis Secretaria Estadual de Planejamento/Divulgação

O governo do Estado vai utilizar uma Parceria Público Privada (PPP) para a execução do sistema de Bus Rapid Transit (BRT) na Grande Florianópolis. O conceito une faixas exclusivas e circulação de ônibus com maior qualidade e menor custo. Um cronograma para a execução dos serviços também foi definido e a estimativa é que as obras comecem em julho de 2016 e os BRTs entrem em operação em 2018.

O modelo que será usado na região é o da PPP Administrativa. Neste caso, em função do contexto do serviço de interesse público a ser prestado pelo parceiro privado, não é feita cobrança de tarifas dos usuários dos serviços. A remuneração da empresa privada vem integralmente de aportes regulares de recursos orçamentários do poder público.

A primeira etapa do sistema de BRT será o trecho de 10 quilômetros do BRT entre os Kms 0 e 5,50 da BR-282 (Via Expressa de acesso a Florianópolis) em São José até o terminal do Centro de Florianópolis. A estimativa é que o ônibus leve 15 minutos para realizar o trajeto enquanto hoje gasta-se, em média, 40 minutos nos horários de pico.

O valor previsto para a implantação da primeira etapa é de R$ 300 milhões. Serão elaborados os projetos e modelagens da infraestrutura dos corredores de ônibus, estações e tecnologia da informação. A etapa seguinte é a realização de audiências públicas para avaliar os projetos propostos e lançar concorrência pública de parceria público privada administrativa, ou seja, o parceiro privado será remunerado pelos recursos públicos orçamentários, após a entrega do contratado.

A ideia é que o projeto amplie a via com corredores no meio da via expressa para não diminuir os espaços existentes para os carros. De acordo com o estudo feito pelo Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis (Plamus) o novo modelo de ônibus consome 35% menos combustível e emite até 50% menos gases poluentes que os convencionais, sendo um veículo que se enquadra no conceito levantado pelo estudo.

Fluxo no limite

Segundo o Plano de Mobilidade Urbana da Grande Florianópolis (Plamus), passam pela Via Expressa diariamente entre as 6h e as 22h, no ponto inicial (cabeceira das pontes) cerca de 190 mil veículos, sendo 142 mil automóveis (75%), 25 mil motocicletas (13%), 5.700 ônibus (3%), 9.500 vans e táxis (5%) e 7.600 caminhões (4%). Na proximidade da BR-101, o volume é de 123 mil veículos por dia, entre as 6 e as 22 horas.

O ponto de maior volume, as cabeceiras das pontes, tem um tráfego máximo direcional no horário de pico de 8.635 veículos/hora, o que representa 99% da capacidade máxima de fluxo nesse ponto. Nesse local, passam na hora de pico da tarde (entre 18h e 19h) 6.500 automóveis, 1.100 motocicletas, 430 táxis e vans, 345 caminhões e 260 ônibus. Quanto ao número de pessoas, 22 mil saem da Ilha nesse mesmo horário, sendo que 11 mil pessoas utilizam os carros e motos para esses deslocamentos e 10 mil utilizam os ônibus, ou seja, os ônibus representam 3% dos veículos e transportam 45% das pessoas. Já os automóveis e motocicletas representam 88% dos veículos e transportam 55% das pessoas.

A Superintendência da Região Metropolitana da Grande Florianópolis estabeleceu medidas imediatas para melhorar o tráfego entre a Ilha e o Continente, como licitação de serviço de guincho e integração dos órgãos de gestão de trânsito nos níveis federal, estadual e municipal para dar respostas rápidas a incidentes na região metropolitana. Outra medida é melhorar a sinalização e eliminar os entrelaçamentos nas pontes. Já na Via Expressa, as sugestões de curto prazo são implantação de terceiras faixas, melhorias na geometria dos acessos e integração da operação com as pontes.

"É muito mais do que uma faixa exclusiva para ônibus", diz coordenador do Plamus

Guillherme Medeiros fala sobre o projeto de implantação do sistema de transporte BRT na Grande Florianópolis

Coordenador do Plano de Mobilidade Sustentável da Grande Florianópolis (Plamus), Guilherme Medeiros falou ao Diário Catarinense sobre o projeto do governo do Estado para implantar o sistema de transporte BRT na Grande Florianópolis.

Segundo Guilherme, a ideia é promover significativos avanços na mobilidade da região com as obras, previstas para 2016 e 2017, com o sistema entrando em operação a partir de 2018.

Como funcionará a Parceria Público Privada?

A parceria é para a infraestrutura onde circularão os BRTs. É similar a uma concessão, só que a diferença é que não há pedágio. O próprio poder público, neste caso o governo do Estado, se propõe a remunerar a empresa privada quando a obra estiver pronta. Será estabelecida a modelagem econômica e uma vez lançado o edital, a empresa que vencer a concorrência tem obirgação de implantar as obras, todas as intervenções dentro do prazo contratual. Ela receberá pelo serviço depois da obra pronta.

Como esse sistema de BRTs opera na prática?

É um sistema baseado em ônibus, mas como uma evolução deles. A ideia é que estes veículos circulem em faixas totalmente segregadas do tráfego normal, que as estações também sejam qualificadas, que o embarque seja em nível, sem necessidade do usuário subir degraus para pegar a condução. Junto com isso, todas as linhas vão ter essa separação do tráfego normal desde a saída do terminal, porque aí você consegue programar uma operação muito mais confiável de horários e trajetos. Se assemelha a um metrô, a um transporte sob trilhos. É muito mais do que uma faixa exclusiva para ônibus.

Quais são as etapas daqui para frente?

Vamos estabelecer detalhadamente a modelagem econômica, financeira e jurídica para calcular, por exemplo, quanto será a contraparticipação do governo. Esperamos avançar nessa modelagem nos próximos meses, para concluir em 2015 e lançar o edital no primeiro semestre de 2016. As obras então começariam no segundo semestre de 2016 e iriam até o fim de 2017, para que os BRTs operassem a partir de 2018.

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